Desconfinar

Inicia-se hoje a terceira fase de desconfinamento em Portugal com algumas regras mais apertadas na região de Lisboa e Vale do Tejo que é, agora, a zona com mais casos de COVID-19.

Eu comecei a desconfinar a sério na passada semana com uma ida ao dentista e a primeira visita a um supermercado, desde março. Devo dizer que achei este "admirável mundo novo" muito coincidente com algumas fantasias de ficção científica que tinha em criança a respeito do ano 2000. Ainda assim, não me senti tão desconfortável que tivesse que sair de algum sítio a meio de alguma tarefa "derivados" de uma crise de "nervos". Foi até bastante tranquilo.

Aprendemos a conjugar este novo verbo, desconfinar, cada um à sua maneira e o importante é sentirmo-nos confortáveis, conscientes e sermos responsáveis para connosco e para com os outros. Não sei se o mundo está preparado para a compaixão. Sinto que não está e que tudo voltará ao "normal" que tantos desejam.

Levo alguns ensinamentos desta situação inesperada e desconfortável. Querem uma lista?

- O teletrabalho não muda a personalidade do profissional: somos o que somos, estejamos onde estivermos.

- Sair de casa para o que quer que seja é um processo muito mais exigente. Lidamos agora  com os constrangimentos da máscara, álcool gel e a lembrança de todas as etiquetas necessárias à segurança. Isto faz-me refletir sempre sobre se vale a pena, o que me tornou também mais exigente em termos de escolhas.

- Sou agora capaz de organizar uma lista de compras com pés e cabeça para um semana (ou mais) de mantimentos.

- Viver um momento sanitário incerto tentando equilibrar os nossos medos com a necessidade de tranquilizar os que nos rodeiam - sobretudo as crianças - é mentalmente violento. Persisti no que achei que me fazia bem: yoga.

- Conjugar trabalho, lida da casa, apoio ao estudo e convivência familiar sem possibilidade sair do mesmo espaço requer alguma "calma, descontração e estupidez natural". O meu mundo interior expandiu-se e tornou-se um refúgio seguro e muito frequentado.

- Ser mãe foi a tarefa mais exigente desta "quarentena", mas também a mais gratificante. Num olhar mais frio, permitiu-me, também, descentrar-me de mim, dos meus problemas e colocar a maior parte da minha atenção no meu filho. No fundo é assim que as mães vivem, agora com mais intensidade, diria.

Declarei o meu confinamento terminado com um mergulho no mar. Um acto simbólico que me mudou o mindset e me fez começar a pensar no futuro.

Vamos a isso!

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