
Foi ontem decretado o estado de alarme em Portugal. A esta hora há 112 pacientes no nosso país. As escolas fecham hoje. A 9 de abril a situação será reavaliada. Houve uma corrida ao papel higiénico nos supermercados. Todos os trabalhadores que podem exercer as suas funções a partir de casa, estão a fazê-lo. Ainda estou no meu local de trabalho. Tenho o privilégio de ter uma sala só para mim e circular de automóvel sozinha. Sou pouco social pelo que contacto físico com colegas ou pessoas em cafés, restaurantes e afins é muito reduzido o que não me impede de me desinfetar de cada vez que mudo de sítio. Os meus pais foram para a aldeia, achámos que era a melhor forma de se protegerem. O meu filho foi fazer um teste de matemática, mas a escola já está quase vazia. Anseio pela hora de ir buscá-lo e irmos para casa - só lá me sinto segura. Nunca pensei viver uma situação destas, apesar de pensar muitas vezes na possibilidade de acontecer alguma coisa que "abanasse" isto tudo. Aconteceu. Está a acontecer. E estamos a lidar como sabemos, sem livro de instruções. As orientações do Estado têm sido objetivas, creio. Tenho entendido tudo e não acho que seja altura para críticas e divisões partidárias. Como viciada em notícias, entupo-me de informação que seleciono, só lendo OCS de referência. Repudio toda e qualquer informação sensacionalista. É difícil manter algum discernimento. É difícil estar com medo e tentar passar uma sensação de tranquilidade ao meu filho. Tive um mini
meltdown de manhã, mas depois vesti-me melhor do que o normal, maquilhei-me melhor do que o normal e fui comprar umas coisas ao supermercado: pasta de dentes, gel de banho, comida para o gato, café e vinho! Se é para ficar em casa, que o façamos com alguma leveza e procuremos tirar proveito da situação. Já não sabíamos o que era ter tempo. Tempo com a família, tempo para nós, tempo livre. Depois da estupefação e do desânimo que venha a força e o optimismo para acabar com isto. Todos juntos, mas cada um em sua casa.
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